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Construção no Brasil fatura R$ 522,5 bi; salário é 2,1 mínimos

PAIC 2024 do IBGE mostra setor com 191 mil empresas, 2,5 milhões de ocupados e forte peso do setor público em obras.

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A indústria da construção no Brasil gerou R$ 522,5 bilhões em incorporações, obras e serviços em 2024, segundo a PAIC 2024, divulgada pelo IBGE em 10 de junho de 2026. O levantamento aponta 191 mil empresas, 2,5 milhões de pessoas ocupadas e R$ 95,6 bilhões pagos em salários no ano.

O dado central expõe um contraste relevante para o mercado imobiliário e para a cadeia de imóveis: apesar do volume financeiro, a remuneração média mensal da construção ficou em 2,1 salários mínimos. O salário mínimo vigente a partir de 1º de janeiro de 2024 foi fixado em R$ 1.412,00 pelo Decreto nº 11.864, de 27 de dezembro de 2023.

Construção no Brasil: infraestrutura lidera valor, edifícios ficam perto

O maior segmento em valor foi Obras de infraestrutura, com R$ 200,9 bilhões, equivalentes a 38,4% do total. A Construção de edifícios, diretamente associada ao ciclo de imóveis e empreendimentos urbanos, somou R$ 198,9 bilhões, ou 38,1%. Já Serviços especializados para construção chegaram a R$ 122,8 bilhões, com 23,5%.

Entre os grupamentos de produtos e serviços da PAIC 2024, a construção de rodovias, ferrovias, obras urbanas e obras de arte especiais respondeu por 22,8% do valor total. As obras residenciais ficaram com 22,2%, enquanto serviços especializados para construção responderam por 19,2%.

Salários na construção e mercado imobiliário: diferença entre segmentos

A média de 2,1 salários mínimos esconde diferenças internas. Obras de infraestrutura pagaram, em média, 2,6 salários mínimos. Na Construção de edifícios, a remuneração média foi de 1,9 salário mínimo. Em Serviços especializados para construção, ficou em 1,8 salário mínimo.

Os gastos com pessoal foram o maior componente de custos e despesas da construção em 2024, com 30,7% do total. O consumo intermediário, exceto materiais e serviços de terceiros, representou 22,5%; materiais de construção, 22,3%; demais despesas, 14,7%; e obras e serviços contratados de terceiros, 9,7%.

Obras públicas pesam no setor da construção no Brasil

A demanda do setor público respondeu por 33,0% do valor gerado pela indústria da construção em 2024. Em Obras de infraestrutura, essa participação chegou a 48,2% do valor gasto, mostrando a relevância das encomendas públicas para esse segmento específico.

O porte médio das empresas também varia. A média geral do setor foi de 13 pessoas ocupadas por empresa. Obras de infraestrutura tiveram 39 funcionários por empresa; Construção de edifícios, 13 pessoas ocupadas por empresa; e Serviços especializados para construção, 8 funcionários por empresa.

Emprego na construção e distribuição regional

Na composição do pessoal ocupado, a Construção de edifícios concentrou 35,7% do total. Serviços especializados para construção reuniram 34,4%, e Obras de infraestrutura ficaram com 29,9%.

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Regionalmente, o Sudeste concentrou 50,0% do pessoal ocupado e 49,4% do valor total das incorporações, obras e serviços da construção em 2024. No valor gerado, o Nordeste teve 17,9%, o Sul 17,0%, o Centro-Oeste 9,1% e o Norte 6,5%. No pessoal ocupado, depois do Sudeste, vieram Nordeste, com 19,6%; Sul, com 16,2%; Centro-Oeste, com 8,2%; e Norte, com 6,0%.

Setor cresce no PIB e nos empregos formais

O desempenho da construção aparece também nos indicadores macroeconômicos. No PIB de 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%, a Indústria avançou 3,3% e a atividade de Construção cresceu 4,3%. O PIB brasileiro em valores correntes totalizou R$ 11,7 trilhões, e a Formação Bruta de Capital Fixo cresceu 7,3% no acumulado do ano.

No mercado formal, o Novo Caged registrou 1.693.673 postos de trabalho gerados no Brasil em 2024. A Construção Civil respondeu por +110.921 postos, com variação de +4,04%.

Custo da construção pressiona imóveis no Brasil

O custo nacional da construção por metro quadrado passou de R$ 1.946,09 em abril de 2026 para R$ 1.953,08 em maio de 2026, conforme o Sinapi. Em maio, o valor foi composto por R$ 1.104,59 de materiais e R$ 848,49 de mão de obra.

O Índice Nacional da Construção Civil variou 0,36% em maio de 2026, acumulou 3,26% no ano e 6,93% em 12 meses. Para o mercado imobiliário, esses dados ajudam a acompanhar a formação de custos de obras e imóveis, ainda que a PAIC trate da estrutura econômica das empresas da construção.

Leitura dos dados exige cautela

O IBGE informou que a substituição da RAIS pelo eSocial impactou o desenho amostral das pesquisas estruturais econômicas. Por isso, os dados antes e depois dessas mudanças não são diretamente comparáveis.

Outro ponto do retrato setorial é a baixa concentração entre as maiores companhias. O indicador R8, que mede a participação das oito maiores empresas no valor total das incorporações, obras e serviços, foi de 3,1% em 2024. A combinação de faturamento elevado, remuneração média modesta e forte presença de obras públicas resume o paradoxo revelado pela PAIC 2024 para a construção no Brasil.

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