Estados Unidos: vendas de imóveis têm mínima de 14 meses
Vendas de moradias usadas caíram 2% em agosto, enquanto o preço mediano subiu 1,6% em um ano, para US$ 429.100; estoque também cresceu.







As vendas de moradias usadas nos Estados Unidos caíram 2% em agosto de 2026, para um ritmo anualizado de 3,98 milhões de unidades, com ajuste sazonal. Foi o menor nível em 14 meses, desde junho de 2025. Apesar do recuo nas transações, o preço mediano aumentou 1,6% em relação a agosto do ano passado, para US$ 429.100, segundo dados da National Association of Realtors (NAR) divulgados em 10 de setembro.
Na comparação anual, as vendas diminuíram 1,2%. O resultado mensal coincidiu com a projeção dos economistas consultados pela Reuters. O quadro reúne menos negócios fechados, mais imóveis disponíveis e crédito mais caro, enquanto os preços nacionais continuam subindo.
Estoque de imóveis nos Estados Unidos avança
A oferta de moradias usadas chegou a 1,62 milhão de unidades em agosto, alta de 3,2% sobre julho e de 5,9% em 12 meses. É o maior volume desde novembro de 2019. Mantida a velocidade das vendas, seriam necessários 4,9 meses para esgotar esse estoque, ante 4,6 meses tanto em julho quanto em agosto de 2025.
Segundo Lawrence Yun, economista-chefe da NAR, a relação entre estoque e vendas atingiu o maior nível em mais de dez anos. Ainda assim, a queda mensal não eliminou o avanço acumulado no ano: as transações cresceram 1,6% nos oito primeiros meses de 2026, conforme o painel da entidade.
Preços no mercado imobiliário mostram diferenças regionais
O preço mediano nacional passou de US$ 422.400 em agosto de 2025 para US$ 429.100 em agosto de 2026. Segundo o comunicado da NAR, foi o 38º mês consecutivo de alta anual. O desempenho, porém, variou entre as regiões: o Oeste registrou ligeira queda de preços, enquanto as demais áreas tiveram valorização.
- Nordeste: vendas em ritmo anualizado de 480 mil unidades, queda mensal de 4%; preço mediano de US$ 556.900, alta anual de 4,3%.
- Centro-Oeste: 940 mil unidades anualizadas, recuo mensal de 3,1%; preço mediano de US$ 340.400, aumento anual de 3,3%.
- Sul: 1,84 milhão de unidades anualizadas, queda mensal de 1,6%; preço mediano de US$ 366.500, alta anual de 0,7%.
- Oeste: 720 mil unidades anualizadas, estabilidade mensal; preço mediano de US$ 619.100, redução anual de 0,2%.
Hipotecas mais caras acompanham queda nas vendas
A taxa média das hipotecas de 30 anos com juros fixos foi de 6,67% em agosto, acima dos 6,54% de julho e dos 6,59% de um ano antes. Os números são da Freddie Mac, reproduzidos pela NAR, e mostram o encarecimento do crédito em meio ao aumento da oferta de imóveis.
Há uma defasagem entre a contratação e o registro das vendas, contabilizadas no fechamento da operação. Segundo a Reuters, os negócios concluídos em agosto provavelmente refletiam contratos assinados em junho e julho. No fim de julho, a taxa média da hipoteca fixa de 30 anos estava em 6,66%.
Primeiro imóvel ganha participação nas transações
Compradores do primeiro imóvel responderam por 30% das vendas, contra 28% um ano antes. As operações à vista representaram 27%, ante 28%, enquanto investidores ou compradores de segunda residência participaram de 15% dos negócios, abaixo dos 21% registrados em agosto de 2025, conforme o resumo estatístico da NAR.
Entre as casas unifamiliares usadas, as vendas acima de US$ 1 milhão cresceram 3,9% em 12 meses. Já os negócios entre US$ 100 mil e US$ 250 mil recuaram 10%, e aqueles entre US$ 250 mil e US$ 500 mil caíram 2,2%. Esses recortes das tabelas suplementares da entidade utilizam uma amostra sem ajuste sazonal.
Como interpretar os indicadores de imóveis
O ritmo anualizado de 3,98 milhões representa quanto seria vendido em 12 meses se a velocidade de agosto permanecesse constante. Já a mediana divide as transações em duas metades, uma acima e outra abaixo do preço indicado. Mudanças na composição dos imóveis vendidos podem alterar esse valor.
Assim, a alta da mediana não significa que todos os imóveis tenham se valorizado na mesma proporção. O retrato de agosto combina ampliação da oferta com preços nacionais ainda crescentes, diferenças regionais e financiamento mais caro — fatores que ajudam a contextualizar o enfraquecimento das vendas no mercado imobiliário dos Estados Unidos.



























