Imóveis em Toronto perdem quase 30% do valor real desde 2022
Levantamento do UBS aponta queda anual de 10,7% nos preços, mas custo econômico de comprar ainda supera o de alugar uma unidade equivalente.







Os imóveis residenciais de Toronto perderam quase 30% de seu valor real, descontada a inflação, desde o pico de 2022, segundo o UBS Global Real Estate Bubble Index 2026. Divulgado em 22 de setembro, o levantamento registra queda de 10,7% nos preços nos últimos 12 meses. Apesar da correção, o custo econômico de ser proprietário continua muito superior ao de alugar uma unidade equivalente.
A retração inverte um ciclo de forte valorização: entre 2014 e 2022, os preços reais dos imóveis de Toronto dobraram, no maior avanço entre as cidades analisadas naquele período. Os resultados foram detalhados em reportagem do Canadian Mortgage Professional publicada em 28 de setembro de 2026.
Toronto lidera queda anual no mercado imobiliário analisado
Toronto e Vancouver registraram as maiores quedas reais anuais entre as 23 cidades da pesquisa. Em Vancouver, os preços recuaram 9,7%. Os aluguéis também caíram, descontada a inflação: 3,8% em Toronto e 5% em Vancouver.
O movimento contrasta com o de Seul, Lisboa, Madri e Hong Kong, onde os preços tiveram altas próximas de 10%, segundo o comunicado oficial do UBS. Na avaliação do banco, a correção de Toronto resulta da combinação de juros mais altos, restrições à compra por estrangeiros e aumento da oferta.
Risco de bolha nos imóveis de Toronto é moderado
Toronto aparece em 13º lugar no ranking de risco de bolha, com 0,63 ponto. Vancouver vem na posição seguinte, com 0,62. Ambas estão na faixa moderada, que vai de 0,5 a 1,0. Zurique e Tóquio foram as únicas cidades classificadas com risco alto nesta edição.
O índice examina desequilíbrios entre preços, rendimentos, aluguéis, crédito e construção. A classificação não prevê quando uma correção ocorrerá. Assim, a pontuação moderada deve ser entendida como uma avaliação desses desequilíbrios, sem funcionar como garantia sobre a trajetória futura dos preços.
Comprar ou alugar em Toronto: o custo além do preço
A queda acumulada não tornou a compra necessariamente mais vantajosa. No gráfico do UBS que compara o custo econômico da propriedade com o aluguel, Toronto apresenta o quarto maior diferencial, atrás de Hong Kong, Vancouver e Los Angeles, nessa ordem.
A conta considera juros hipotecários, custo de oportunidade do capital próprio, manutenção, impostos, depreciação, prêmio de risco e ganhos de capital esperados. Portanto, a comparação incorpora hipóteses sobre valorização futura; não se limita à diferença entre a prestação do financiamento e o aluguel mensal.
Preço dos imóveis e renda mostram outra dimensão
Na relação entre preço e renda, Toronto apresenta o menor resultado da amostra. Segundo a reportagem do Canadian Mortgage Professional, um apartamento de aproximadamente 60 metros quadrados perto do centro custa o equivalente a menos de cinco anos de renda de um trabalhador qualificado do setor de serviços. Em Hong Kong, são aproximadamente 15 anos; em Londres, 11.
Esse indicador e o custo de ser proprietário medem aspectos diferentes da compra. O primeiro relaciona o valor do imóvel à renda; o segundo reúne os custos econômicos da propriedade. Por isso, a menor relação entre preço e renda pode coexistir com uma diferença elevada de custo em relação ao aluguel.
Grande Toronto registra recuo nas vendas de imóveis
No mercado regional, dados do Toronto Regional Real Estate Board reproduzidos pelo Canadian Mortgage Professional mostram 5.057 transações em agosto de 2026, queda de 2,1% sobre agosto de 2025. O preço médio de venda caiu 2,7%, para 993.410 dólares canadenses, enquanto o indicador composto MLS HPI recuou 4,5% em 12 meses.
Foram registrados 12.075 novos anúncios, redução anual de 14,1%. Esses números se referem à Grande Toronto e ao levantamento de agosto: não representam o mesmo recorte da série de preços reais apresentada pelo UBS e não devem ser tratados como medidas equivalentes.
Como interpretar a correção imobiliária de Toronto
O UBS informa que coletou dados até 26 de agosto de 2026 e utilizou estimativas quando faltavam informações recentes. As pontuações também podem sofrer revisões decorrentes de atualizações das séries e dos pesos do índice.
O quadro reúne, portanto, uma correção expressiva dos preços reais e custos de propriedade ainda elevados frente ao aluguel. Para interpretar o mercado imobiliário de Toronto, a queda desde o pico precisa ser lida em conjunto com renda, financiamento e despesas de manutenção — dimensões que o preço de venda, isoladamente, não resume.



























