Terrenos caem de preço em 22 de 35 bairros pesquisados em Goiânia
Preços anunciados dos lotes recuaram 3,7% no primeiro semestre de 2026; levantamento mostra diferenças entre bairros e não mede valores pagos.







Os terrenos tiveram queda mediana de 3,7% nos preços anunciados em Goiânia no primeiro semestre de 2026, com recuo em 22 dos 35 bairros pesquisados pelo Guia Imobiliário do Secovi Goiás e do 62Imóveis. O segmento reuniu 1.490 anúncios, com preço mediano de R$ 1.460 por metro quadrado e prazo mediano de comercialização de 6,8 meses.
O resultado contrasta com o desempenho dos imóveis residenciais construídos: os apartamentos registraram variação mediana positiva de 5%, enquanto as casas avançaram 3,2%. Os resultados foram apresentados em reportagem do Jornal Opção publicada em 22 de setembro de 2026. A diferença entre os segmentos é central para interpretar o mercado imobiliário da capital.
Mercado imobiliário de Goiânia tem movimentos distintos
Segundo os dados divulgados pelo Portal Papo Aberto, os apartamentos concentraram 19.370 ofertas, com preço mediano de R$ 7.260/m² e prazo mediano de comercialização de 4,7 meses. As casas somaram 4.026 anúncios, R$ 5.410/m² e prazo de 6,7 meses.
Os lotes, portanto, apresentaram prazo mediano de comercialização superior ao dos apartamentos e próximo ao das casas. Esses indicadores descrevem a oferta anunciada no levantamento. Não representam, por si só, o preço pelo qual cada imóvel foi vendido nem o tempo necessário para negociar um terreno específico.
Oferta e custos pressionam os preços dos terrenos
Benjamin Ragonezi, identificado pelo Jornal Opção como vice-presidente do Secovi Goiás, atribuiu a pressão sobre os terrenos ao excesso de oferta diante da procura. Também apontou os juros do crédito imobiliário, os custos dos materiais de construção e a falta de mão de obra.
Essa é a explicação apresentada pelo representante da entidade à reportagem. A leitura associa o desempenho dos lotes tanto às condições de compra quanto às dificuldades para construir. Os números divulgados, porém, não quantificam separadamente a contribuição de cada fator para a queda mediana de 3,7%.
Terrenos em Goiânia: altas também exigem contexto
Apesar do recuo na maioria dos bairros pesquisados, 13 registraram valorização nos preços anunciados dos terrenos. Segundo a divulgação do estudo pelo Expresso 360, o Moinho dos Ventos apresentou alta de 45,9%, mas contou com apenas dez ofertas. A amostra foi classificada pelo estudo como de baixa confiança.
O Residencial Aldeia do Vale registrou valorização de 16,5%, com 207 ofertas e prazo de venda de 6,8 meses. O contraste mostra por que a variação percentual precisa ser acompanhada do número de anúncios: a maior alta divulgada entre esses dois bairros veio justamente da amostra menor, cuja limitação foi expressamente apontada.
O que o levantamento de imóveis permite comparar
O Guia Imobiliário abrangeu 126 combinações entre bairros e tipologias: 38 de apartamentos, 53 de casas e 35 de lotes. Os indicadores foram agregados por bairro, e o levantamento não contempla lançamentos imobiliários, conforme a metodologia divulgada pelo Expresso 360.
Esses limites delimitam o alcance dos resultados. A queda em 22 bairros se refere ao universo de terrenos pesquisado, enquanto o desempenho dos apartamentos e das casas corresponde a outros conjuntos de ofertas. A própria divulgação recomenda examinar conjuntamente valorização, quantidade de anúncios e velocidade de venda.
Preço anunciado menor não garante oportunidade de investimento
Para interpretar o barateamento dos terrenos em Goiânia, a distinção decisiva é entre preço pedido e valor efetivamente negociado. O levantamento acompanha anúncios, cujos valores podem diferir daqueles pagos nas transações. Assim, o recuo observado não equivale a uma medição dos descontos obtidos pelos compradores.
Os dados oferecem contexto para avaliar o mercado, mas não sustentam uma promessa de valorização futura. Tanto a queda mediana dos lotes quanto as altas de bairros específicos precisam ser lidas com seus volumes de oferta e prazos de comercialização. É essa combinação, respeitados os limites da pesquisa, que permite discutir oportunidade de compra e dificuldade de revenda sem transformar preço anunciado em retorno garantido.



























