Florianópolis: casarão abandonado em imóvel de R$ 107,5 milhões
Propriedade na Agronômica teve leilão em 2025; restauro segue em análise municipal, enquanto relatório prevê duas torres no terreno.







O casarão onde viveram três governadores catarinenses, na Rua Frei Caneca, no bairro Agronômica, em Florianópolis, continua abandonado, segundo reportagem da Gazeta do Povo publicada em 12 de outubro de 2026. A propriedade foi avaliada em R$ 107,5 milhões para o leilão de 2025. O projeto de restauro, protocolado em junho, permanece em análise municipal.
O valor abrange o terreno de 23.246,80 m² e as construções, não apenas o casarão histórico, conforme os dados divulgados pelo ND. Segundo o Ministério Público, citado pela Gazeta, não havia registro de venda nos autos após o encerramento do leilão. Essa informação não permite afirmar que a propriedade tenha sido arrematada.
Leilão de imóvel em Florianópolis teve lance mínimo de R$ 53,75 milhões
O ND informou que a quinta tentativa de leilão estava marcada para começar em 26 de setembro de 2025 e terminar em 3 de outubro, às 15h15. O lance mínimo era de R$ 53,75 milhões. As tentativas anteriores ocorreram em julho e dezembro de 2021, abril de 2022 e dezembro de 2024.
A publicação atribuiu o leilão às dívidas acumuladas pela Construtora Santa Catarina Ltda. Segundo o jornal, a família Ramos vendeu o terreno em 1982 à Terraton Terraplanagem Ltda., cuja razão social passou a ser Construtora Santa Catarina Ltda. em 1989.
Preservação do casarão motivou ação do Ministério Público
Em comunicado de 27 de janeiro de 2023, o Ministério Público de Santa Catarina informou que a 28ª Promotoria de Justiça da Capital havia ajuizado ação civil pública contra a construtora. Antes da judicialização, foram realizadas seis reuniões. Em cinco delas, houve propostas de termo de ajustamento de conduta, recusadas pelos proprietários sob alegação de falta de recursos.
A 3ª Vara da Fazenda Pública da Capital determinou cobertura provisória, vedação das duas casas e instalação de placa de identificação histórica em até 90 dias, sob multa de R$ 1 milhão, destinada ao Fundo de Reconstituição de Bens Lesados. O MPSC também pediu indenização de R$ 9,7 milhões caso um colapso inviabilizasse o restauro. Esse último valor era um pedido da ação, não uma indenização já aplicada.
Restauro em Florianópolis segue sob análise municipal
Em agosto de 2026, notícia da NSC Total reproduzida pela FloripAmanhã registrou que a proprietária havia comunicado o cumprimento das determinações. Persistia, porém, discussão sobre a adequação técnica das intervenções. Naquele momento, as duas estruturas estavam fechadas e com proteção provisória, sem registro de risco iminente de colapso total.
Já a reportagem de outubro da Gazeta descreveu a continuidade do abandono e informou que o projeto de restauro permanecia sob análise do Serviço de Patrimônio Histórico, Artístico e Natural, o Sephan. As medidas emergenciais relatadas em agosto, portanto, não significavam que a recuperação do conjunto estivesse concluída.
Patrimônio histórico tem descrições distintas sobre tombamento
Entre os antigos moradores, o ND relacionou os governadores Vidal Ramos, Nereu Ramos e Celso Ramos, além do prefeito Mauro Ramos. Essa trajetória acompanha a discussão sobre a conservação das edificações e o futuro da propriedade.
As fontes apresentam descrições diferentes sobre a proteção patrimonial. A Gazeta informa tombamento em 2015. O comunicado do MPSC de janeiro de 2023 descreve tombamento provisório, decorrente da abertura do processo administrativo e da notificação do proprietário. Os registros citados não esclarecem essa diferença.
Mercado imobiliário: relatório prevê duas torres no terreno
Paralelamente ao restauro, um Relatório de Impacto de Vizinhança descrito pela Gazeta apresenta os planos da San Carlos Incorporadora e Construtora para duas torres no terreno. Uma delas teria até 39 pavimentos. A proposta prevê mais de 192 mil m² de construção, com usos residencial, hoteleiro, corporativo e comercial.
A execução ainda depende de aprovações municipais finais. Segundo a Gazeta, Sephan-Iuf e San Carlos não responderam à reportagem até a publicação. O quadro documentado reúne, assim, um restauro em análise, uma proposta imobiliária pendente de aprovação e ausência de registro de venda nos autos, conforme o Ministério Público. São essas pendências que cercam o futuro do imóvel e a preservação do casarão.



























