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Passo Fundo suspende leilão de área de R$ 81 milhões sem propostas

Terreno da antiga Manitowoc tinha lance mínimo de R$ 32,4 milhões, desconto de 60% e exigência de empregos e investimentos.

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A Prefeitura de Passo Fundo (RS) suspendeu, em 10 de setembro de 2026, a primeira etapa do Leilão nº 01/2026 da antiga área industrial da Manitowoc após nenhuma empresa apresentar proposta formal. A sessão de disputa estava prevista para 17 de setembro, na sede da B3, em São Paulo.

O imóvel foi avaliado pela Caixa Econômica Federal em R$ 81.011.100, mas o edital estabeleceu lance mínimo de R$ 32.404.400. O valor correspondia a aproximadamente 40% da avaliação, uma redução próxima de 60%, ou cerca de R$ 48,6 milhões.

Leilão de imóveis em Passo Fundo é suspenso

Segundo a Prefeitura, a comissão especial suspendeu a sessão para analisar os próximos encaminhamentos. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Adolfo de Freitas, afirmou que o processo ainda não havia sido formalmente declarado “deserto” e que poderiam ocorrer reformulações.

O Jornal do Comércio informou que o edital poderia ser reavaliado e republicado depois das eleições gerais de outubro de 2026. Até a suspensão, manifestações de interesse haviam sido recebidas de grupos locais, nacionais e internacionais, mas não se converteram em propostas formais dentro do prazo.

Área industrial tinha desconto e pagamento parcelado

O terreno possui aproximadamente 450 mil metros quadrados, equivalentes a 45 hectares, às margens da RS-324. A área construída chega a 26.774,38 metros quadrados. A Prefeitura informou que o local conta com pavimento de concreto para operações pesadas, subestação de energia com capacidade de até 5 megawatts e cerca de 26 hectares com pavimentação e construção.

O edital previa garantia de participação de 1% da avaliação, aproximadamente R$ 810 mil, e patrimônio mínimo do participante de cerca de R$ 8,1 milhões. O vencedor deveria pagar 10% de entrada em até cinco dias após a homologação e quitar o saldo em 20 parcelas mensais corrigidas pelo IPCA.

Empregos e investimentos eram exigências do edital

O comprador teria de destinar o imóvel a atividades industriais ou logísticas, gerar pelo menos 150 empregos diretos e indiretos em até 60 meses e realizar investimento mínimo de R$ 20 milhões em até 120 meses, contados da escritura pública.

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Também estava previsto um projeto de novo trevo de acesso com quatro pistas. Segundo reportagem da TV Pampa/O Sul, a Prefeitura estimava movimentar pelo menos R$ 52,4 milhões, somando o lance inicial de aproximadamente R$ 32,4 milhões ao investimento mínimo obrigatório de R$ 20 milhões.

Histórico da antiga Manitowoc em Passo Fundo

A área abrigou a fábrica de guindastes da norte-americana Manitowoc, que encerrou as atividades no fim de 2015. O imóvel permaneceu ocioso por aproximadamente nove anos durante disputas judiciais.

Em março de 2024, após decisão da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, a área foi devolvida ao Município. No mesmo mês, a Prefeitura recebeu oficialmente as chaves da empresa PAR Soluções Agrícolas. Em maio de 2024, o pavilhão passou a funcionar como centro logístico temporário da Defesa Civil para armazenar e distribuir donativos às vítimas das enchentes. A operação terminou em abril de 2025.

Em outubro de 2025, a Câmara de Vereadores aprovou por unanimidade o Projeto de Lei nº 49/2025, de autoria do Executivo, autorizando a licitação da área pública.

Destinação produtiva segue em avaliação

Em 2023, a PAR Participações havia planejado retomar a fabricação de guindastes, com previsão de 150 empregos diretos no primeiro ano e faturamento de R$ 700 milhões, mas o projeto enfrentou entraves institucionais e o terreno foi devolvido ao Município em março de 2024.

A ausência de propostas mesmo com desconto expressivo, prazo parcelado e obrigações de emprego e investimento mantém em aberto o destino produtivo de um dos principais imóveis industriais de Passo Fundo. A Prefeitura deverá avaliar os próximos passos antes de uma eventual republicação do edital.

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